Todo o material utilizado no laboratório deve ser cuidadosamente
limpo, afim de se evitar a presença de contaminantes que vão influenciar
no resultado final. Após o uso, devem ser mantidos em uma solução
de detergente a fim de evitar a impregnação de reagentes.
Vários detergentes são encontrados
no mercado para este fim e devem ser usados conforme as instruções
de uso dos fabricantes. As causas mais comuns de imperfeições
na limpeza, são restos de detergentes e gorduras. No caso de gorduras,
quando em grande quantidade, emprega-se um solvente orgânico (ex.
éter de petróleo) seguido de lavagens com água e com um agente
oxidante. O oxidante mais empregado para a remoção de gorduras,
detergentes, amostras, etc. é a solução sulfocrômica.
Solução Sulfocrômica
Dissolver 50g de Bicromato de Potássio em 50mL de água. Adicionar
lentamente, 800mL de Ácido Sulfúrico concentrado, com agitação
constante e em banho de água e gelo. Conservar a solução em frasco
bem vedado.
Manipular com os cuidados inerentes
à solução ácida.
Após a lavagem com detergente, enxaguar com água corrente e
deixar o material em contato com a solução sulfocrômica de 1 a
24 horas, dependendo da quantidade de resíduos existentes. Retirar
a vidraria da solução e lavar no mínimo 5 vezes com água deionizada.
A solução sulfocrômica pode ser usada várias vezes.
Descartar quando adquirir cor esverdeada.
A vidraria a
ser utilizada na determinação de ferro, cálcio, magnésio, cobre
e outros, deve ser deixada de molho em solução de ácido
clorídrico (HCl) a 50% ou em ácido nítrico (HNO3) a 30%. Posteriormente
esta vidraria deverá ser enxaguada inúmeras vezes em água corrente
e água deionizada.
02- Quais as especificações da água
reagente a ser utilizada no laboratório?
A água corrente não
é apropriada para a preparação de reagentes. Dois processos são
empregados na obtenção de água purificada: destilação e deionização.
· Critérios
do NCCLS para definição de água reagente:
|
|
Tipo I
|
Tipo II
|
Tipo III
|
|
pH
|
NA
|
NA
|
5,0 – 8,0
|
|
Silicatos mg/L
(max)
|
0,005
|
0,1
|
1,0
|
|
Resistividade
(megohm/cm)
|
10
|
2,0
|
0,1
|
|
Bactérias UFC/mL
(máximo)
|
10
|
103
|
NA
|
|
Matéria Orgânica
|
Próximo de zero
|
NA
|
NA
|
|
Partículas
|
<0,2µm
|
NA
|
NA
|
NCCLS
- National Commitee for Clinical Laboratory Standards
Utilização
e Armazenamento da Água Reagente
|
|
Tipo I
|
Tipo II
|
Tipo III
|
|
Aplicação da
água reagente
|
Utilizada em
teste que requer o máximo de precisão.
Ex.: Reconstituição
de soros controles e calibradores
Dosagem de traços
de elementos.
Enzimologia
Ensaios de ligação
|
Uso geral em
laboratório e na maioria dos procedimentos em bioquímica,
imunologia, hematologia.
|
Lavagem de vidraria
Preparo de meio
de cultura.
|
|
Armazenamento
|
Não deve ser
armazenada, pois sua obtenção só ocorre no momento da coleta.
A água Tipo
I, deve ser produzida e utilizada imediatamente.
|
Não deve ser
armazenada por um período superior a 01 semana.
Lavar bem o
recipiente, a cada troca de água.
Utilizar recipientes
adequados como os de vidro.
|
Não deve ser armazenada por um período
superior a 01 semana.
Lavar bem o
recipiente, a cada troca de água.
Utilizar recipientes
adequados como os de vidro.
|
|
|
|
|
|
|
03- Quais os principais interferentes
responsáveis por resultados elevados nas dosagens de eletrólitos?
Os principais interferentes nas
dosagens de eletrólitos são: uso de vidraria lavada inadequadamente
e água inadequada para preparo de reagentes.
04- Os resultados
de glicemia de jejum e hemoglobina glicosilada são sempre correlacionáveis?
Não. A dosagem de hemoglobina glicosilada reflete o controle
metabólico do paciente nas 8 – 10 semanas precedentes ao teste,
enquanto que a glicemia de jejum reflete o controle somente das
24 horas anteriores.
Sendo assim, é possível obter uma glicemia de jejum dentro
dos valores de referência e uma hemoglobina glicosilada elevada
em pacientes diabéticos não controlado.
05- Por que razão em alguns casos, imediatamente
após o preparo, o reagente de cor dos kits de Colesterol 250,
Urato 160, Glucox 500 e
Triglicérides 120,
adquire coloração rosada?
Tal fato ocorre devido a presença
de substâncias oxidantes na água utilizada que promovem a oxidação
da 4-Aminoantipirina formando o produto rosado 4-Antipirilquinomina.
A intensidade de cor formada é proporcional a quantidade de substâncias
oxidantes presente na água utilizada.
06- É preciso determinar
fator todos os dias? Qual a frequência ideal?
De um modo geral, os fatores devem ser determinados sempre
que for adquirido um novo lote.
Para kits totalmente colorimétricos o fator deve ser determinado
quando da abertura do kit.
Para kits enzimáticos colorimétricos o fator deve ser determinado
a cada semana ou a cada nova reconstituição da enzima.
Deve ser feita uma verificação
diária do estado de controle do ensaio. É importante lembrar que
de acordo com a BPLC – Boas Práticas de Laboratório Clínico, o
monitoramento do ensaio deve ser feito utilizando-se 02 soros
controle com níveis diferentes de concentração.
Os resultados destes soros
devem ser registrados diariamente em uma planilha e plotados nos mapas de Levey-Jennings.
07- Pode-se dosar
microalbuminúria com o kit de Microprote?
Não. O kit de Microprote Doles
utiliza o corante Coomassie azul brilhante para detectar quantidades
mínimas de proteínas. Esse corante forma um complexo corado com
albumina e diferentes variedades de proteínas de globulinas, reagindo
integralmente com todas proteínas existentes na urina ou líquor.
08- O desenvolvimento
de cor ligeiramente castanha nos reagentes enzimáticos colorimétricos,
com o passar do tempo, indica perda de estabilidade do mesmo?
Não. Em reativos enzimáticos colorimétricos com
leitura em 510nm, o máximo de absorbância tolerável ao branco
do reativo é de 0,150, com leitura realizado contra um branco
representado por água destilada ou deionizada.
09- Qual a diferença
entre metodologias com reações colorimétrica enzimática/química,
enzimáticas e ultravioleta?
Reações
colorimétricas
O produto formado é corado com leitura na faixa do espectro visível.
Estas reações podem ser de ponto final ou cinética.
Reações
ultravioletas
O
produto formado não é corado, não há “visualização da reação”
como nas reações colorimétricas.
O produto da reação absorve energia radiante na faixa ultravioleta.
Estas reações podem ser de ponto final ou cinética.
Reações
de ponto final
São reações cuja concentração
máxima do produto, quando atingida, permanece inalterada por um
determinado tempo. A estabilidade do produto formado está diretamente
relacionada às características dos reagentes utilizados na reação.
Tais reações podem ser colorimétricas (Triglicérides 120, Colesterol
250, Urato 160, etc...) ou ultravioletas (Fosfato UV).
Reações
cinéticas
São reações em que se mede
a formação de produto em intervalos de tempo pré-estabelecido.
Em alguns casos a formação do produto está diretamente relacionada
à temperatura. Sendo assim, tais reações cinéticas devem ser realizadas
preferencialmente em aparelhos que possuam cubetas termostatizadas,
a fim de se obter resultados mais precisos. Ex. ALTUV, ASTUV,
DHLUV, Amilase CNPG, GamaGT Cinética.
10- Às vezes na dosagem
de bilirrubina não há formação de cor ou ainda ocorre a turvação
da reação. A que se devem tais ocorrências?
A conservação da amostra a ser utilizada na dosagem de bilirrubina
é fator de grande
importância, pois a bilirrubina é extremamente fotossensível,
devendo o soro ser mantido ao abrigo da luz.
Quando os níveis de bilirrubinas
estão elevados deve-se utilizar a técnica micro. Por outro lado,
em amostras cujo aspecto não seja icteríco, deve-se utilizar técnica
macro.
O uso de plasma cujo sangue foi colhido com anticoagulante
à base de EDTA é contra-indicado. O sal EDTA reage com o Benzoato
de Sódio contido na solução aceleradora, formando-se Ácido Benzóico.
Este, insolúvel, precipita-se e turva a solução. À leitura no
espectrofotômetro teremos resultados falsamente elevados.
A ordem de adição dos reagentes indicada no procedimento
técnico, deve ser seguida rigorosamente, pois se não houver a
formação do diazo-reagente a formação de cor fica comprometida.
11- Quais critérios
devem ser adotados na execução de testes de látex Gestatest ,
PCRTEST, ASLOTEST, REUMATEST, com resultados de qualidade?
A lâmina utilizada na reação deve estar rigorosamente limpa
e isenta de gordura, pois resíduos de detergente podem interferir
nos resultados. È aconselhável que antes da realização
do teste a lâmina seja desengordurada com álcool, cuja completa
evaporação deve ser observada.
A agitação deve ser feita em condições padronizadas, a fim
de que se obtenham resultados comparáveis em diferentes provas.
O congelamento do látex
leva a reações inespecíficas de aglutinação. Os frascos de látex
devem permanecer bem fechados, caso contrário poderão ocorrer
floculações.
As proporções dos reagentes devem ser seguidos rigorosamente.
O tempo de leitura deverá ser preciso. Após o tempo de leitura
e com a exposição da placa de reação ao ar pode haver dessecação
do látex com a presença de resultados inespecíficos.
12- Qual a diferença entre
os kits de RPRtest , VDRL e Sifilistest? E quais os critérios
utilizados na execução dos testes de RPR ou VDRL com qualidade?
Ambos são utilizados no
diagnóstico da sífilis. Os testes sorológicos são classificados
em Treponêmicos e Não Treponêmicos.
Testes Não
Treponêmicos - VDRL e RPRTEST
São utilizados comumente para a triagem. Detecta anticorpos
IgG e IgM para um antígeno cardiolipina-lecitina-colesterol.
VDRL Doles
é uma suspensão alcoólica de colesterol, cardiolipina bovina e
lecitina.
RPRTEST Doles
o antígeno é uma suspensão de micropartículas de carbono sensibilizadas
com lipídios complexos que se aglutinam na presença de reaginas.
O RPRTEST SÍFILIS Doles dispensa o preparo da suspensão antigênica.
O antígeno está pronto para uso – é conhecido também como VDRL
pronto para uso.
Para padronização dos antígenos de VDRL e RPRTEST sugerimos
a rígida observação dos seguintes critérios
· Titulação
diária do controle positivo, para verificar perda de sensibilidade
do antígeno, ou erros nas etapas do procedimento técnico.
· Verificar
o tempo de reação especificado na instrução de uso do kit.
· Não
alterar os volumes indicados para preparar o antígeno. KIT DE
VDRL.
· Utilizar
os reagentes preparados dentro do prazo especificado.
· A
agitação deve ser feita em condições padronizadas, para que sejam
obtidos resultados comparáveis em diferentes provas.
· Manter
os reagentes acondicionados conforme especificação na instrução
de uso.
· Manter
os técnicos do laboratório treinados e atualizados.
· Testar
todas as amostras na diluição de 1:1 e 1:10 para evitar resultados
falso-negativos, devido ao efeito pró-zona.
· Antes
da execução dos testes o antígeno deve ser testado, com um soro
negativo não turvo. É fundamental estabelecer um padrão de floculação
(positivo e negativo) para cada kit utilizado.
· Lembramos
ainda que a literatura científica e a CN-DST e AIDS (Coordenação
Nacional de DST e AIDS) aceita a variação de um título acima ou
abaixo, em uma mesma amostra testada em diferentes laboratórios
ou por diferentes pessoas.
Testes
Treponêmicos – Sifilistest Doles (TPHA) e FTA-ABS
Os testes treponêmicos são utilizados como testes confirmatórios
para os soros reativos nos testes de triagem.
O sifilistest
Doles é um teste de Hemaglutinação
indireta para detecção qualitativa e semi-quantitativa de anticorpos
anti Treponema Pallidum.
Sensibilidade dos Testes Sorológicos para Sífilis nos Diferentes
Estágios da Doença
|
|
ESTÁGIO DA DOENÇA
|
|
|
Primário
|
Secundário
|
Latente
|
Terciária
|
|
VDRL
|
74 – 87%
|
100%
|
98 – 100%
|
71%
|
|
RPR
|
77 – 100%
|
100%
|
95 – 100%
|
73%
|
|
FTA-ABS
|
70 – 100%
|
100%
|
100%
|
96%
|
|
Hemaglutinação
|
69 – 90%
|
100%
|
97 – 100%
|
94%
|
Estudo
realizado no Center for Disease Control and Prevention, segundo
Larson A S, Steiner B.M, Rudolph AH: Laboratory Diagnosis and
Interpretation of tests for syphylis. Clin. Microbiology Ver.
1995; 8:1.
13-
Porque se utiliza a concentração de 100mg/dL para os cálculos
de colesterol HDL, uma vez que o rótulo do padrão de colesterol
HDL está especificado 50mg/dL?
No item 01 do procedimento técnico, o soro é diluído 1:2
com o reagente precipitante. Na fórmula de cálculo, o resultado
encontrado já é multiplicado por 2 para se ter o resultado final.
Sendo assim, no cálculo do fator utiliza-se o número 100, derivado
de 50 x 2.
Caso seja considerado para o cálculo do fator um padrão de
50mg/dL o resultado final deve ser multiplicado por 02. A não
observação desta multiplicação levará a resultados falsamente
diminuídos.
14-
O que eu faço com o padrão de 50mg/dL que vêm no kit de Creatinina,
uma vez que a técnica pede para que seja utilizado um padrão 5mg/dL
para dosagem de creatinina sérica?
O kit de Creatinina Doles é um sistema colorimétrico de quantificação
da creatinina no soro, urina e demais líquidos biológicos.
Para dosagem de creatinina
sérica é utilizado um padrão de 5mg/dL que deve ser preparado
no laboratório a partir do padrão de 50mg/dL. O padrão de 5mg/dL
é preparado adicionando-se 200µL da solução padrão 50mg/dL a 1,8mL
de albumina bovina (solução diluente – acompanha o kit). É importante
nesta etapa que seja utilizada pipeta semi-automática de 200µL
calibrada, para obtenção de resultados precisos. NÃO UTILIZAR
PIPETA GRADUADA.
O restante do padrão de 50mg/dL deve ser guardado para ser
utilizado na determinação do fator para dosagem de creatinina
urinária.
15-
O kit de Creatinina
Doles pode ser utilizado em modo cinético?
Sim.
Para tal, proceder conforme se segue:
Preparo do Reagente de Trabalho
· 2,5mL
de reagente pícrico
· 10mL
de água destilada/deionizada.
· 10
gotas de solução alcalina.
· Homogeneizar
e deixar repousar durante 5 minutos antes de usar.
·
Após o preparo o reagente permanece estável por 07 dias, se mantido
entre 2-6ºC.
Realização
do teste – Creatinina
Utilizar preferencialmente aparelhos semi-automáticos ou
automação completa. Solicite o manual de automação para o equipamento
de seu laboratório.
· Selecionar
o comprimento de onda de 505nm.
· Zerar
o aparelho com o reagente de trabalho
· Transferir
1mL do reagente de trabalho para um tubo de ensaio.
· Adicionar
100mL de amostra/padrão – Creatinina Sérica; 10mL de amostra/padrão – Creatinina Urinária
· Esperar
30 segundos.
· Fazer
a leitura inicial (A1) em absorvância.
· Repetir
a leitura (A2) 60 segundos após a primeira leitura anotar o achado.
Cálculos:
Conc.
Padrão
F = ___________
A2 – A1
Conc. Padrão
5mg/dL – Creatinina Sérica
50mg/dL – Creatinina Urinária.
Creatinina (mg/dL) = (A2 – A1) amostra x Fator